04/09 – O Filho do Homem é Senhor também do sábado

Sábado, 04 de setembro de 2021.

 

Evangelho (Lc 6,1-5)

 

“O Filho do Homem é Senhor também do sábado”

 

1Num sábado, Jesus estava passando através de plantações de trigo. Seus discípulos arrancavam e comiam as espigas, debulhando-as com as mãos. 2Então alguns fariseus disseram: “Por que fazeis o que não é permitido em dia de sábado?” 3Jesus respondeu-lhes: “Acaso vós não lestes o que Davi e seus companheiros fizeram, quando estavam sentindo fome? 4Davi entrou na casa de Deus, pegou dos pães oferecidos a Deus e os comeu, e ainda por cima os deu a seus companheiros. No entanto, só os sacerdotes podem comer desses pães”. 5E Jesus acrescentou: “O Filho do Homem é senhor também do sábado”.

 

Reflexão

 

Pode ser que ao lermos este evangelho que nos é proposto na liturgia de hoje, cheguemos a equivocada conclusão de que Jesus esteja afirmando que para o cristianismo não existem regras, e, que cada um pode fazer o que bem entende. Isso não é verdade. A conduta moral proposta por Jesus não é uma construção de cada um. A nossa orientação moral está presente nos Evangelhos, nos ensinamentos da Igreja. O que Jesus critica neste evangelho é a forma como os fariseus escaram as regras, ou seja, com idolatria. Mas este comportamento dos fariseus pode contaminar também a nós cristãos. Podemos nos prender de forma doentia a uma regra esquecendo-nos o motivo pelo qual uma regra existe. As regras existem como uma indicação, como um sinal, como uma bússola, mas ela não é a meta e nem o fim. Seguir regras só por segui-las significa ter perdido de vista o motivo pelo qual ela existe. O sábado serve para nos recordar que Deus é primordial em nossa vida e por isso, ao menos uma vez na semana, nós devemos nos abster do trabalho para recordar que não nascemos para trabalhar, mas que trabalhamos para viver. Os discípulos de Jesus, estando com Jesus, estão fisicamente com o ‘motivo’ pelo qual existe o sábado: Deus. A conversão que nos pede o evangelho de hoje não consiste na transgressão das regras, mas no recuperar o motivo pelo qual uma regra vale a pena ser cumprida. Quem se prende demais a uma regra, pode ser que tenha perdido de vista o verdadeiro Bem, mas não percebe que a cega obediência a uma regra não acontece em substituição a uma atividade da própria consciência. O cristianismo precisa de pessoas que creem e não de fanáticos.

 

Pe. Paulo Eduardo Jácomo, sdb.